Você está vendo os arquivos da categoria ‘Economia’

3.04
08

Mais sobre a TV Digital – HDTV

Postado por GermanoCWB ·

De: Alamar Régis Carvalho

Para: Germano

Assunto: Mais informações sobre a TV DIGITAL, HDTV.

Germano: Devido a repercussão do primeiro e-mail que mandei, sobre a TV HDTV, de alta resolução, surge a necessidade de mandar este complemento. Tem muita gente confusa no Brasil inteiro.

Mais informações sobre a TV Digital

HDTV via satélite para 20 milhões de parabólicas

O set top box, a tal caixinha conversora

esclarecendo mais dúvidas

Inicialmente eu gostaria de pedir desculpas aos amigos, sobretudo àqueles que há vários anos fazem parte deste meu universo de leitores, por não ter podido dar atenção individual a cada e-mail que me tem sido enviado. É que o volume de leitores tem aumentado tanto, com e-mails chegando aos milhares, a cada dia, que não consigo dar conta de ler todos, por ser humanamente impossível, apesar da vontade de atender a cada um, considerando a forma carinhosa como tenho sido tratado.

Todavia, verificando o que está querendo saber quase todas as pessoas, acerca do assunto TV Digital, que são as dúvidas que chegam em quase todos os e-mails, resolvi preparar mais este aqui e mandar pra todo mundo.

Na oportunidade quero informar, também, àqueles que recebem estes meus e-mails, retransmitidos por amigos, bem como a jornalistas, que não há necessidade de pedido de autorização para retransmissão ou publicação em qualquer veículo das matérias que escrevo. Todos estão autorizados. Só peço que citem a fonte.

Há muita confusão e dificuldade de entendimento no País acerca do HDTV, a TV de alta definição, que foi lançada neste domingo, dia 2 de dezembro.

Sobre a transmissão via satélite

Foi divulgado, continua a ser divulgado, tem gente dando entrevistas em televisões e rádios, dando conta de que duas das grandes redes de televisão, no caso a Bandeirantes e a Rede TV, estão transmitindo em HDTV para todo o Brasil, via satélite, e que o público das 20 milhões de antenas parabólicas instaladas no País poderá receber essas programações em seus televisores em casa.

Já que eu faço televisão, há mais de dez anos, falando exatamente para um universo enorme desse público, onde eu mais me tornei conhecido, estão chegando enxurradas de e-mails de gente querendo ver essa beleza e maravilha que é a TV de alta resolução em suas casas.

Calma, gente, a coisa não é bem assim. Você não vai receber estes canais com o receptor de satélite que tem. Deixe eu explicar direitinho como a coisa funciona.

Os donos e diretores destas conceituadas redes de televisão estão entusiasmados, e não é pra menos, eu também estaria, a iniciativa é boa e válida, mas talvez os seus técnicos não estão passando a eles como a coisa realmente funciona, talvez pelo momento de empolgação nacional.

Primeiro - A esmagadora maioria desse gigantesco público usuário de antenas parabólicas possui receptor analógico em sua residência; ou seja, receptores que pegam apenas os tradicionais e velhos canais analógicos, mesmo sendo a Rede Globo, Bandeirantes, SBT, Record, Rede TV, etc… que durante muitos anos transmitiram no satélite Brasilsat B-1 da Embratel, que hoje foi substituído pelo moderno B-4.

Receptor analógico nenhum consegue pegar qualquer transmissão de televisão digital. Desse universo de 20 milhões de antenas parabólicas, todas possuem receptores analógicos. Portanto, é preciso que as pessoas adquiram um receptor digital.

SegundoOk, algumas dessas pessoas já ouviram falar do receptor digital de satélites, que existe há muito tempo, eu mesmo divulgo isto há alguns anos, porque transmissão digital de TV via satélite no Brasil não é coisa de hoje. Então essas “algumas”, que são mais curiosas, já compraram e continuam comprando receptores digitais que vendem em apenas algumas lojas, já que, por incrível que pareça, é coisa rara de se encontrar no Brasil, embora com tanto tempo de existência, porque os próprios lojistas de eletrônicos das diversas cidades desconhecem. É impressionante, mas é a realidade.

Consta que já existem no Brasil mais de um milhão de receptores destes nos lares de alguns. Bem aquém de 20 milhões de antenas, é claro.

Este tipo de receptor barateou demais, nos últimos tempos, e pode ser comprado até por duzentos e poucos reais em São Paulo. Mas é outra história que eu explico mais adiante. Vamos com calma, porque é importante você entender bem como esta coisa funciona.

Os receptores digitais de satélite

Acho que todo mundo no Brasil já deve ter ouvido falar no Direct TV e no SKY. Pois é, aqueles receptores que são vendidos em grandes supermercados e shopping centers, que você faz assinatura, coloca aquela anteninha até na janela da sua casa ou apartamento e pega um montão de canais. Aquilo ali já é um receptor digital de satélite e já funciona há bastante tempo no Brasil.

Só que tem um detalhe: O Direct TV, assim como o SKY, combinou com os fabricantes para que colocassem nos receptores um dispositivo qualquer que permitisse que o consumidor assistisse somente os seus canais, no satélite onde eles estavam, e mais nada.

Pronto! quem comprasse um receptor, fazendo assinatura com o Direct TV, só poderia ver a programação do Direct TV; quem fizesse assinatura com o SKY, só poderia ver o SKY, como é hoje. Esse tipo de televisão chama-se DTH (”Direct to home”). A TECSAT também fez isto.

Por causa destas restrições, eles são chamados de receptores digitais FECHADOS.

Acontece que a tecnologia dos receptores digitais de satélites é ABERTA, para que os seus usuários assistam programações diversas de rádios e televisões, que estão em vários satélites, gratuitamente, independentemente de assinaturas.

Daí o entendimento de que existem no mercado, também, receptores digitais de satélites, abertos, que as pessoas podem comprar, instalar em suas casas, ligarem uma antena e assistirem várias opções de tvs e rádios de graça.

Creio que algumas pessoas vão me questionar:

- “Mas Alamar, já que você disse que os receptores são aqueles mesmos do SKY e do Directv, então eu só poderei usar um receptor digital com uma anteninha daquele tipo?”.

Não, você pode utilizar, também, o mesmo receptor ligado na antena grande, aquela velha antena de alumínio, telada, enorme que fica em cima da casa dos vinte milhões de pessoas.

Vou complicar um pouquinho, porque preciso explicar isto:

Você usa a antena pequena, ou mesmo uma grande, desde que sejam totalmente fechadas (não podem ser teladas), quando a transmissão do canal pelo satélite seja através de um meio chamado banda KU.

Acontece que essas milhões de antenas que existem no Brasil, são todas grandes e abertas, ou seja, as antenas teladas, que foram concebidas para pegarem as transmissões feitas no que se chama banda C, que era a tecnologia que a Embratel utilizava e ainda utiliza.

“Que bom, Alamar, agora eu já entendi tudo. Então basta eu comprar um receptor de satélite digital destes, que você disse custar na faixa dos duzentos reais e pegar a TV de alta resolução, o HDTV? Beleza, sai bem mais barato que as tais caixinhas set up box!”

Não. Ainda não é bem assim que a coisa funciona. É bom lembrar que nem toda TV digital é necessariamente HDTV, tv de alta resolução.

Mesmo assim, tem outro fator que precisa ser explicado bem.

Sei de um grupo, de São Paulo, que colocou no ar um canal de TV digital, preferiu descartar a consulta a um amigo especializado no assunto para ir na onda de determinados “entendidos” que disseram que se ele colocasse o seu canal através da Embratel, seria visto por todas as pessoas possuidoras de antenas parabólicas convencionais, aquelas do universo de quase 20 milhões.

Não aconteceu nada disto. A maioria não vê.

Ocorre que uma antena receptora de satélite não se resume apenas no prato da parabólica em si e sim no conjunto constituído por esse prato e um componente eletrônico chamado LNB, que é aquela peça que fica no meio da antena.

A grande maioria das antenas instaladas no Brasil está equipada com o LNB SIMPLES, ou seja, o mais barato possível, aquele que todo mundo prefere comprar, pelo fato de ser mais barato, já que funciona bem para atender a sua necessidade de receptor analógico.

O que é que as pessoas querem?

- “Deu pra ver a Globo, o SBT, a Bandeirantes e a Record, pra mim tá bão”.

É o que acontece. Comprar um LNB-F, que é mais caro, pra que?

Acontece que para funcionar um bom receptor de satélite digital, o LNB comum não serve e a pessoa tem que ter o tal LNB-F, que é outro tipo de tecnologia, outro equipamento. Não é tão caro assim não, mas tem que ter e as pessoas vão sempre pelo mais barato.

Ah, sim. Agora que entendi de vez. Pronto, eu tenho esse tal LNB-F. Quando o cara veio instalar o meu receptor digital em casa, ele colocou um deste na minha antena, porque eu comprei. Posso então ver o HDTV?

Ainda não. Há outros fatores a serem considerados.

RECEPTORES PADRÃO DVB-S e DVB-S2

Há uma diferença enorme nestes dois padrões, que as pessoas precisam saber para entenderem bem o que a Bandeirantes e a Rede TV estão fazendo.

Eu poderia sugerir, agora, que os meus amigos comprassem o mais rápido possível um receptor de satélite digital, como eu venho sugerindo por todos estes anos, porque é a coisa mais espetacular do mundo, eu consegui fazer muitas pessoas felizes a partir do momento que indiquei e elas compraram e instalaram em suas casas, principalmente quando colocam um tal “motorzinho” embaixo da sua antena, que se chama rastreador de satélites.

Mas já não posso fazer isto, por causa da evolução de tecnologia.

Vou explicar:

Os receptores de satélites digitais conhecidos por nós, os mesmos utilizados pelo SKY e Direct TV, bem como estes abertos que eu venho falando aqui, trabalham num padrão chamado DVB-S, que é aquele em que as televisões transmitem as suas programações comprimidas num formato chamado MPEG-2. Tudo digital, sem dúvida alguma.

Não se preocupe com estas linguagens técnicas que eu estou usando aqui, tipo “comprimidas”, “compressão”, porque este entendimento será irrelevante para você entender o fechamento da explicação.

Acontece que a tecnologia de compressão de imagem evoluiu e foi inventado um tal de MPEG-4.

Pronto. Os receptores do padrão DVB-S, aqueles que eu disse que custa pouco mais de duzentos reais, não recebem o formato MPEG-4, já que foram concebidos para trabalharem com o MPEG-2.

Daí se conclui o seguinte:

A esmagadora maioria das pessoas usuárias de antena parabólica, que utilizam receptores analógicos (tipo rádio a válvula), não tem como receber o HDTV via satélite, porque os seus receptores são ultrapassados demais, ou seja, são analógicos.

As pessoas que já estão avançadas, tendo adquirido receptores digitais, que já são mais de um milhão no Brasil, também não vão receber porque, em que pese serem receptores digitais, estão no padrão DVB-S.

Sabe o que está acontecendo?

A Bandeirantes e a Rede TV estão transmitindo já no sistema DVB-S2, porque estão utilizando já a tecnologia do MPEG4.

Deu pra entender agora?

Sem dúvidas, é uma excelente iniciativa e estão de parabéns estas duas redes de televisão. Eu estou adorando, mas as pessoas precisam comprar um novo receptor, que é o DVB-S2, mesmo assim preparados para receberem HDTV, que não é todo receptor, mesmo sendo DVB-S2, que recebe HDTV com a qualidade total, de 1080 linhas.

“Beleza, Alamar. Eu quero comprar esse tal receptor digital DVB-S2. Não quero nem saber quanto custa, o que eu quero é ver o HDTV, a tv de alta definição, logo. Onde é que eu compro?”

Aí que danou-se de novo. Em lugar nenhum do Brasil, porque ninguém está vendendo ainda.

“Mas como não? o diretores da Bandeirantes e Rede TV não fizeram uma demonstração para o Ministro Hélio Costa, usando um receptor?”

Sim, mas eles devem ter trazido algum do exterior, para fazerem a demonstração.

Mas não nos preocupemos, porque já que esta tecnologia está sendo usada em nosso país, com certeza distribuidores e lojistas vão começar a importar os novos receptores, o governo vai incentivar a fabricação e montagem deles aqui no Brasil e não demorará para estarem à venda.

O Ministro Hélio Costa tem razão

Nós somos um país de muita gente sem vergonha, muita gente exploradora que não mede esforços em tirar proveito de situações.

Não sei se você sabe, mas o Direct TV e o SKY tiveram que se unir numa só, aqui no Brasil, porque quase vão à falência, uma vez que esse tipo de televisão, que é o DTH, não deu muito certo por aqui, ou seja, não correspondeu às expectativas deles, que era a de ter mais de 10 milhões de assinantes em 5 anos. Foi um fracasso porque em mais de dez anos não conseguiu ultrapassar a 3 milhões. Um desastre mesmo.

Mas por que isto aconteceu? O sistema não é bom? não funciona bem?

Não, nada disto. Não deu certo por causa da ganância da cultura de muitos empresários brasileiros, que é o que está acontecendo agora, novamente, com as fabricações dos set up box.

Quando se fabrica alguma coisa por aqui, o costume é querer ganhar logo trezentos por cento, quinhentos por cento, mil por cento ou mais DE LUCRO, logo de cara.

É bem verdade que os altíssimos impostos cobrados pelo próprio governo também contribuem para que os empresários ajam assim, mas é uma realidade, infelizmente.

O principal componente do “set top box”, a tal caixinha, custa pouco mais de 20 dólares lá fora, mas o pessoal aqui está querendo vender a 700 reais e até mais de 1000 reais. As opções de 400 reais são aquilo que se pode chamar de o mais vagabundo possível.

A TV por assinatura, principalmente o DTH, deu certíssimo na Argentina, país aquele que, em que pese a população ser incomparavelmente menor que a do Brasil, existe muito mais gente que tem esse tipo de televisão em casa, pagando valores razoáveis e dentro das possibilidades populares.

Ainda sobre os televisores que estão nas lojas

Muita gente, mas muita gente mesmo, comprou o tal gato por lebre. Muitos amigos indignados e até gente levando loja ao PROCON. Tem um artista super famoso no Brasil, também meu leitor, que quer jogar a TV que acabou de comprar pela janela, de raiva.

Entendamos o seguinte: As lojas querem vender, vender e vender; os vendedores querem faturar cada vez mais as suas comissões e não é todo mundo que tem compromisso com ética e bem estar do próximo. Todo cuidado é pouco.

Quero aqui repetir que nem todo televisor digital necessariamente é HDTV. O fato de ser um plasma ou LCD não quer dizer que seja HDTV, o fato de ser um televisor grande, bonito, de 42 ou mais de 50 polegadas também não quer dizer que seja HDTV.

O televisor HDTV não precisa de conversor nenhum, ela já vem de fábrica como HDTV e recebe direto o sinal das TVs, sem precisar de nada. Só mesmo a antena ligada nele.

Geralmente os televisores HDTV têm a indicação de HDTV nos seus gabinetes e nos manuais. Não custa nada dar uma olhada.

Nada de se conformar em ver um simples televisor de plasma ou LCD numa loja tocando um DVD lindo e maravilhoso, cheio de paisagens e belas imagens coloridos. Não há dúvidas de que a imagem de um DVD num aparelho novo deste é muito melhor do que aquilo que temos em casa, mas não podemos nos impressionar com isto porque a imagem HDTV é muito melhor do que a de um DVD, mas muito melhor mesmo, porque tem profundidade, tem mais vida, detalhes, nitidez… enfim, é uma coisa maravilhosa.

Antes de ir no papo do vendedor da loja, entre no site do fabricante, da Sony, Panasonic, Sansung, Phillips e várias outras e veja quais os modelos que são verdadeiramente HDTV.

Estará resolvido o problema.

Conclusão

Sugiro que ninguém se apresse, ainda, em comprar receptores digitais de satélite agora, porque, com certeza, os espertalhões vão querer ficar ricos do dia pra noite, aproveitando-se da empolgação de muita gente com esta tecnologia. Já deve estar começando a atracar os primeiros navios lotados de receptores DVB-S2 no porto de Santos. Todo cuidado é pouco.

Outra coisa, ATENÇÃOOOOOOOOOO!!!!

Já que na época de Natal, o brasileiro adora gastar, quer trocar tudo: geladeira, fogão, televisão e celular…

Sugiro que não troque, ainda, o seu aparelho celular.

Tem duas razões para isto:

A primeira é para que não compre aparelhos presos a uma determinada operadora, para não ficar preso a ela. Exija aparelhos DESBLOQUEADOS, porque aí você pode usar a operadora que quiser.

Segundo é que vão começar chegar os celulares que permitem você assistir o HDTV, coisa que é fantástica e maravilhosa.

Vou escrever uma matéria só sobre o celular depois.

Observação: Se você tiver a curiosidade de saber a quantidade de satélites que existe disponível para aquelas pessoas que possuem receptores digitais, com mais de mil canais de televisões e incontáveis emissoras de rádio do mais alto nível, consulte o site www.brasilsatdigital.com.br, que é dirigido pelos meus amigos Marcos Benni e o Gilson Teles (gilson@brasilsatdigital.com.br). Lá você terá todas as informações sobre este mundo via satélite.

Abraços a todos.

Alamar Régis Carvalho

Analista de Sistemas e Escritor

alamar@redevisao.net

www.redelivros.net

ORKUT “alamarregis”

Alamar Régis Carvalho – Analista de Sistemas, Escritor – E-mail: alamar@redevisao.net orkut: “alamarregis” www.redevisao.net

Não se deixe levar pelo insensato preconceito que muitas pessoas mantém contra o Marketing Multi Nível no Brasil, generalizando e concebendo tudo o que faz nesta área como se fosse necessariamente o que se chama de “picaretagem”. Conheça a REDE LIVROS, um dos projetos culturais mais bem elaborados do nosso País. É uma idéia que faz, também, as pessoas ganharem algum dinheiro; mas absolutamente ético, legal e moral: www.redelivros.net

22.03
08

Convenção 158 da OIT – Estupidez Infinita

Postado por GermanoCWB ·

Estupidez infinita

por João Luiz Mauad em 17 de março de 2008

Resumo: O Brasil já tem uma das legislações trabalhistas mais anacrônicas e contraproducentes, cuja profusão de “direitos” e privilégios concedidos aos trabalhadores engessa as relações e os contratos, mas isso poderá piorar.

© 2008 MidiaSemMascara.org

“A sabedoria é sempre limitada, mas a estupidez é infinita”. A frase é atribuída a Einstein, Hubbard, Roberto Campos e Nelson Rodrigues. De fato, qualquer um deles poderia perfeitamente tê-la dito. É uma verdade tão evidente, especialmente aqui em Pindorama, que deveria ser colocada à vista de todos, no plenário do Congresso Nacional, para que os representantes do povo jamais se esquecessem disso.

Malgrado tenhamos uma das legislações trabalhistas mais anacrônicas e contraproducentes do universo, cuja profusão de “direitos” e privilégios concedidos aos trabalhadores – com o intuito de defendê-los dos abomináveis e gananciosos patrões – engessa de tal forma as relações e os contratos, que acaba prejudicando ambas as partes, porém principalmente os primeiros, e mais especificamente aqueles que se encontram fora do mercado. Como tudo neste país de faz-de-conta, o mérito e a livre escolha são substituídos pelo paternalismo e o assistencialismo.

Em meio a uma intensa campanha da sociedade, em prol de reformas trabalhistas que desonerem as relações e tornem mais simples os procedimentos, o presidente Luiz Inácio da Silva, num gesto de agrado à República Sindicalista, enviou mensagem ao Congresso Nacional, em 15 de fevereiro último, propondo a ratificação pelo Brasil da Convenção nº 158 da Organização Internacional do Trabalho. Aprovada em 1982 e até hoje ratificada por apenas trinta e poucos dos 180 países participantes da organização (não por acaso, na sua maioria, subdesenvolvidos, como, por exemplo, Camarões, República do Congo, Etiópia, Gabão, Iêmen, Lesoto, Malauí, Macedônia, Marrocos, Moldávia, Montenegro, Namíbia, Nigéria, Papua-Nova Guiné, República Centro Africana, Santa Lúcia, Sérvia, Ucrânia, Uganda, Venezuela e Zâmbia). Entre os desenvolvidos, apenas cinco europeus – Espanha, Finlândia, França, Portugal e Suécia – e mais a Austrália.

A Convenção 158 da OIT prevê que a empresa ficará obrigada a explicar ao funcionário, inclusive por escrito, as razões de sua demissão. Caso discorde da decisão, este poderá recorrer à justiça, cabendo ao judiciário trabalhista considerar sobre as alegações do empregador e, se for o caso, reintegrar o empregado demitido. Segundo informações da imprensa, nos países que adotaram tal estrovenga, o processo de desligamento de um funcionário pode levar até 12 meses.

De acordo com a indigitada Convenção, fora os critérios de “justa causa”, um empregado só poderá ser desligado por motivos de dificuldade econômica da empresa, mudança tecnológica ou ineficiência comprovada. O documento estabelece ainda algumas causas que não podem ser consideradas: atuação sindical, discriminação por raça, religião, opinião, estado civil ou gravidez. Lindo, não? Só que absolutamente desnecessária, pois a lei trabalhista brasileira já proíbe a demissão em qualquer dos casos listados, bem como veda que uma empresa, por exemplo, demita um empregado por tê-la processado.

Os sindicatos peleguistas estão em festa. Alegam que a ratificação será o primeiro passo para o fim da “alta rotatividade” e do “arrocho salarial”. Bullshit! Já há na lei tupiniquim incentivos muito mais fortes contra a demissão imotivada, como o aviso prévio e a multa rescisória de 50% do saldo do FGTS. Na prática, não muda nada. Nenhuma empresa demite funcionários senão por justa causa ou por uma das três justificativas previstas na própria Convenção. O trabalhador que é competente, honesto e produtivo não corre qualquer risco de demissão, pois o empregado é a alma da empresa. Esta não sobrevive sem aquele.

O trabalho é um insumo como outro qualquer. Hoje, o governo quer autorizar quem eu posso ou não demitir. Analogamente – e aplicando critérios de isonomia – fico imaginando o dia em que um fornecedor resolva recorrer à justiça para manter-me como cliente, uma vez que não concorda com as minhas razões para não mais adquirir os seus produtos, já que, do seu ponto de vista, “sempre serviu-me com presteza e qualidade”. Da mesma forma, prevejo que, no futuro, algum banco que porventura preste bons serviços (dentro da sua própria óptica, claro!), provavelmente vai lutar para evitar que eu leve a minha conta corrente para um concorrente. Meus direitos de propriedade e liberdade para transacionar com quem eu bem entenda não valerão mais nada.

Do ponto de vista prático, como vimos acima, se tal disparate for ratificado pelo Congresso, os benefícios aos empregados serão ínfimos. Porém, as conseqüências para o empresário brasileiro serão enormes. A burocracia de uma simples demissão será longa e complexa (muito mais do que já é). Isso encarecerá o trabalho e reduzirá a capacidade de a empresa adequar seu quadro de pessoal às reais necessidades, com a devida agilidade, o que afetará a produtividade e a competitividade. No mundo globalizado de hoje, em que as empresas precisam competir por mercados mundo afora, muitas vezes brigando com concorrentes localizados em países onde a flexibilidade da legislação trabalhista é imensa e a burocracia reduzida, a aprovação dessa lei é imbecil, para dizer o mínimo.

O Brasil já tem hoje mais de dois milhões de ações trabalhistas, em média, por ano. É um absurdo total! Só para se ter uma idéia, os Estados Unidos têm cerca de 75 mil apenas. Agora, imaginem a confusão que não irá instalar-se na já entulhada Justiça Trabalhista, se uma idiotice dessas for aprovada.

Some a isso tudo os problemas acessórios que tal estrupício acarretaria. De cara, a obrigatoriedade de se declarar – publicamente – eventuais dificuldades econômicas para justificar demissões seria uma. Toda empresa enfrenta dificuldades, na maioria das vezes passageiras. Demite funcionários e, mais tarde, recuperada, volta a admitir. No entanto, quando a exposição desses problemas torna-se pública, a situação tende a agravar-se. Ao admitir sua fragilidade financeira, a reputação da empresa é afetada, sua imagem deteriora-se, ela perde a confiança dos bancos, dos fornecedores e até mesmo dos clientes. Um problema circunstancial pode transformar-se em estrutural, podendo levá-la à bancarrota, prejudicando também os trabalhadores que não seriam demitidos num primeiro momento.

Como aperitivo do que ainda está por vir, assistimos recentemente à aprovação, pelo Congresso, de uma outra lei trabalhista não menos esdrúxula. De agora em diante, a empresa não pode requerer experiência profissional superior a seis meses. Não é lindo? Será que os preclaros deputados e senadores acham que tal lei tem alguma chance de “pegar”? É evidente, para qualquer ser pensante com mais de dois neurônios, que o único efeito prático deste despautério legal será encarecer os custos de contratação, além de tornar o processo muito mais difícil para ambas as partes envolvidas. Imagine, só para começar, a quantas entrevistas inúteis um candidato sem experiência terá que comparecer, simplesmente porque o contratante estará impedido de dar publicidade às suas reais necessidades? Ou alguém, em sã consciência, acha que a empresa vai realmente abrir mão da experiência?

Enfim, esperar bom senso dos nossos políticos é como sonho de uma noite de verão. Só nos resta, então, torcer para que o rent-seeking dos sindicatos patronais seja mais farto e eficiente do que o dos sindicatos laborais – jamais pensei que um dia eu chegaria a esse ponto!

O autor é empresário e formado em administração de empresas pela FGV/RJ.
17.03
08

Aquecimento Global – A balela 7

Postado por GermanoCWB ·

Serão os EUA os maiores poluidores do mundo?

Abaixo eu transcrevo um trecho de matéria publicada no Jornal da Ciência:

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=46102

“Em geral, assumimos que os países que consomem as maiores quantidades de combustíveis fósseis dão a maior contribuição ao aquecimento global. Mas o que realmente importa é a emissão líquida de carbono de um país – suas emissões totais, independentemente da origem, menos o carbono que é fixado de volta à Terra, principalmente pelas plantas.

Entre 7 e 12% das emissões atribuídas ao consumo de combustíveis fósseis pela UE são permanentemente seqüestrados de volta por suas florestas.

Por outro lado, apesar de a Indonésia ser responsável por apenas cerca de 87 milhões de toneladas métricas de emissões de carbono anualmente -1% das emissões globais- acredita-se que um excesso de 2 bilhões de toneladas métricas por ano devem-se ao desmatamento e incêndios, ocasionalmente até mais. Isso é provavelmente maior que as emissões líquidas dos EUA.”

Saiba mais consultando também:

- Site Mitos Climáticos – Ruy G. Moura

- Mídia Sem Máscara

17.03
08

Aquecimento Global – A balela 6

Postado por GermanoCWB ·

Para alguns desses artigos eu pesquisei e forneço o link.

Quem quiser mesmo se informar pode fazer o mesmo.

Germano

————————————–

Aquece ou arrefece?

Um pouco de história.

Na rubrica “Danger” de quase todos os media, podem-se encontrar notícias como estas:

The Globe Is Cooling (O globo está esfriando)

- New York Times, February 24, 1895: “Geologists Think the World May Be Frozen Up Again.”
- New York Times, October 7, 1912: “Prof. Schmidt Warns Us of an Encroaching Ice Age.”
- Los Angeles Times, October 7, 1912: “Fifth ice age is on the way. Human race Will have to fight for its existence against cold.”
- Chicago Tribune, August 9, 1923: “Scientist says Arctic ice will wipe out Canada.”
- Washington Post, August 10, 1923: “Ice Age Coming Here.”
- Los Angeles Times, April 6, 1924: “If these things be true, it is evident, therefore that we must be just teetering on an ice age.”

The Globe Is Warming (O globo está esquentando)

- Los Angeles Times, March 11, 1929: “Most geologists think the world is growing warmer, and that it will continue to get warmer.”
- Chicago Daily Tribune, November 6, 1939: “Chicago is in the front rank of thousands of cities [throughout] the world which have been affected by a mysterious trend toward warmer climate in the last two decades.”
- New York Times, August 10, 1952: “We have learned that the world has been getting warmer in the last half century.”
- New York Times, 1953: “Nearly all the great ice sheets are in retreat.”
- U.S. News & World Report, January 8, 1954: “Winters are getting milder, summers drier. Glaciers are receding, deserts growing.”
- New York Times, February 15, 1959: “Arctic Findings in Particular Support Theory of Rising Global Temperatures.”
- New York Times, February 20, 1969: “The Arctic pack ice is thinning and [...] the ocean at the North Pole may become an open sea within a decade or two.”

The Globe Is Cooling (O globo está esfriando)

- Science News, November 15, 1969: “How long the current cooling trend continues is one of the most important problems of our civilization.”
- Washington Post, January 11, 1970: “Get a good grip on your long johns, cold weather haters — the worst may be yet to come.” O artigo era intitulado “Colder Winters Herald Dawn of New Ice Age.”
- New York Times, December 29, 1974: “Present climate change [will result in] mass deaths by starvation and probably in anarchy and violence.”
- Christian Science Monitor, 1974: “The North Atlantic is cooling down about as fast as an ocean can cool.”
- Newsweek, April 28, 1975: “The drop in food output [as a result of climate change] could begin quite soon, perhaps only ten years from now. [...] The central fact is the earth’s climate seems to be cooling down.”
- New York Times, 1975: “A Major Cooling Widely Considered Being Inevitable.”
- Science News, 1975: “The cooling since 1940 has been large enough and consistent enough that it will not soon be reversed.”
- New Scientist, 1975: “The threat of a new ice age must now stand alongside nuclear war as a likely source of wholesale death and misery for mankind.”
- New York Times, 1976: “The cooling has already killed hundreds of thousands of people in poor nations.”

The Globe Is Warming (O globo está esquentando)

- New York Times, August 22, 1981: “Global warming of an almost unprecedented magnitude is predicted.”
- Washington Post, January 18, 2006: “Rising temperatures could, literally, alter the fundamentals of life on the planet.”
- Time, March 26, 2006: “Polar Ice Caps Are Melting Faster Than Ever . . . More and More; Land is Being Devastated by Drought . . . Rising Waters Are Drowning Low Lying Communities . . . By Any Measure, Earth Is at the Tipping Point; The climate is crashing, and global warming is to blame.”

A angústia é o melhor produto vendido pelos media, tanto embrulhada com o frio como com o calor. Adivinha: – Quando começa a arrefecer? Em 2010? Em 2015? Em 2020? Em 2025?

O tempo dará a resposta devida. O mainstream projecta somente calor até 2100. Apoia-se na hipótese (que nem sequer é uma teoria) exclusiva de ser humana a responsabilidade da variabilidade do clima.

Para o IPCC não existe frio. Mas existem pontos de vista alternativos que prevêem o aparecimento de uma fase fria (bem) antes do fim do século. Somente o tempo revelará de que lado está a verdade.

Fonte:
http://mitos-climaticos.blogspot.com/

16.12
07

CPMF – Veja como votaram os senadores

Postado por GermanoCWB ·

Veja abaixo como os senadores votaram.

Quem assistiu a votação deve ter se sentido enojado com tanta mentira e cretinice dos senadores favoráveis à continuação desse imposto.

Existem dados que afirmam que em determinados anos nem 1% da CPMF foi efetivamente usado na saúde. Isso acontece porque pagar os salários do ascensorista, por exemplo, não é investir na saúde. E é isso que vêm acontecendo!

Outra mentira nojenta é dizer que o fim da CPMF beneficia os ricos, e que os pobres não pagam esse imposto. Mentira!

Os ricos nem sentem o pagamento porque não faz falta para eles, enquanto que os pobres pagam CPMF sim, e várias vezes, cada vez que compram qualquer produto para consumo.

Enfim, veja abaixo se o seu senador honrou o voto que você lhe deu, defendendo o seu direito de cidadão, ou votou em seu próprio interesse de participar nas barganhas e conchavos.

JG

Confira abaixo como foram os votos dos senadores na prorrogação da CPMF:

Contra:

Adelmir Santana (DEM-DF)
Álvaro Dias (PSDB-PR)
Antonio Carlos Junior (DEM-BA)
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
César Borges (PR-BA)
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
Efraim Morais (DEM-PB)
Eliseu Rezende (DEM-MG)
Expedito Junior (PR-RO)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE)
Jayme Campos (DEM-MT)
João Tenório (PSDB-AL)
Jonas Pinheiro (DEM-MT)
José Agripino (DEM-RN)
José Nery (PSOL-PA)
Kátia Abreu (DEM-TO)
Lúcia Vânia (PSDB-GO)
Mão Santa (PMDB-PI)
Marco Maciel (DEM-PE)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
Mario Couto (PSDB-PA)
Marisa Serrano (PSDB-MS)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Raimundo Colombo (DEM-SC)
Romeu Tuma (PTB-SP)
Rosalba Ciarlini (DEM-RN)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)

A favor:

Almeida Lima (PMDB-SE)
Aloísio Mercadante (PT-SP)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Augusto Botelho (PT-RR)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Edson Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Euclydes Melo (PTB-AL)
Fatima Cleide (PT-RO)
Flavio Arns (PT-PR)
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Gerson Camata (PMDB-ES)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Gim Argello (PTB-DF)
Ideli Salvatti (PT-SC)
Inácio Arruda (Pc do B-CE)
Jefferson Péres (PDT-AM)
João Durval (PDT-BA)
João Pedro (PT-AM)
João Ribeiro (PR-TO)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Sarney (PMDB-AP)
Leomar Quintanilha (PMDB-TO)
Magno Malta (PR-ES)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Neuto do Conto (PMDB-SC)
Osmar Dias (PDT-PR)
Patricia Saboya (PDT-CE)
Paulo Duque (PMDB-RJ)
Paulo Paim (PT-RS)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Renato Casgrande (PSB-ES)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Roseana Sarney (PMDB-MA)
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Serys Slhessarenko (PT-MT)
Sibá Machado (PT-AC)
Tião Viana (PT-AC)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Valter Pereira (PMDB-MS)
Wellington Salgado (PMDB-MG)

3.11
07

Trabalhar – Stephen Kanitz

Postado por GermanoCWB ·

Um belo texto que além de servir como um discreto tapa na cara desses socialistinhas que se multiplicam como ratos no nosso país, ainda desnuda duas características do brasileiro que são sempre negadas ferozmente: a arrogância e a indolência.JG


 FAZER O QUE VOCÊ GOSTA X GOSTAR DO QUE VOCÊ FAZ
 
Por Stephen Kanitz, formado em Administração de Empresas por Harvard e Articulista da VEJA.
 
A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente.
 
Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando “fazer o que se gosta”, um conselho confuso e equivocado.
 
Nenhuma empresa paga o profissional para fazer o que os funcionários gostam que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia.
 
Justamente, paga-se um salário para compensar o fato de que o trabalho é essencialmente chato.
 
Mesmo que você ache que gosta de algo no início de uma carreira, continuar a gostar da mesma coisa 25 anos depois não é tão fácil assim. Os gostos mudam, e aí você muda de profissão em profissão?
 
As coisas que eu realmente gosto de fazer, eu faço de graça, como organizar o Prêmio Bem Eficiente; ou faço quase de graça, como escrever artigos para a imprensa.
 
Eu duvido que os jogadores profissionais de futebol adorem acordar às 6 horas todo dia para treinar, faça sol, faça chuva. No fim de semana eles jogam bilhar, não o futebol que tanto dizem adorar.
 
O “ócio criativo”, o sonho brasileiro de receber um salário para “fazer o que se gosta”, somente é alcançado por alguns professores de filosofia que podem ler o que gostam em tempo integral. Nós, a grande maioria dos mortais, terá que trabalhar em algo que não necessariamente gostamos, mas que precisará ser feito. Algo que a sociedade demanda.
 
Toda semana recebo jovens que querem trabalhar na minha consultoria num projeto social. “Quero ajudar os outros, não quero participar deste capitalismo selvagem”. Nestes casos, peço para deixarem comigo seus sapatos e suas meias, e voltarem a conversar comigo em uma semana.
 
Normalmente nunca voltam, não demora mais do que 30 minutos para a ficha cair.
 
É uma arrogância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade só querem “fazer o que gostam?”
 
Quem irá retirar o lixo, que pediatra e obstetra atenderá você às 2 da madrugada? Vocês acham que médicos e enfermeiras atendem aos sábados e domingos porque gostam?
 
Felizmente para nós, os médicos, empresas, hospitais e entidades beneficentes que realmente ajudam os outros, estão aí para fazer o que precisa ser feito, aos sábados, domingos e feriados. Eu respeito muito mais os altruístas que fazem aquilo que precisa ser feito, do que os egoístas que só querem “fazer o que gostam”.
 
Teremos então que trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida profissional chata e opressora?
 
A saída é aprender a gostar do que você faz, em vez de gastar anos a fio mudando de profissão até achar o que você gosta. E isto é mais fácil do que você pensa. Basta fazer o seu trabalho com esmero, um trabalho super bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e da perfeição.
 
Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão fazer seu trabalho com distinção e que o colocarão à frente dos demais.
 
Sempre fui um perfeccionista. Fiz muitas coisas chatas na vida, mas sempre fiz questão de fazê-las bem feitas. Sou até criticado por isto, demoro demais, vivo brigando com quem é medíocre, reescrevo estes artigos umas 40 vezes para o desespero dos editores, sou super exigente, comigo e com os outros.
 
Hoje, percebo que foi este perfeccionismo que me permitiu sobreviver à chatice da vida, que me fez gostar das coisas chatas que tenho de fazer.
 
Se você não gosta do seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor na sua área, destaque-se pela sua precisão. Você será aplaudido, valorizado, procurado e outras portas se abrirão. Você vai começar a gostar do que faz, vai começar até a ser criativo, inventando coisa nova, e isto é um raro prazer.
 
Faça o seu trabalho mal feito e você estará odiando o que faz, a sua empresa o seu patrão, os seus colegas, o seu país e a si mesmo.
 
Este é na minha opinião, o problema número 1 do Brasil. Fazemos tudo mal feito, fazemos o mínimo necessário, simplesmente porque não aprendemos a gostar do que temos de fazer e não realizamos tudo bem feito, com qualidade e precisão.