‘Cerco da Lapa’ – Revolução Federalista – 1893/1895

 

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Matéria publicada no jornal O Estado do Paraná, em 10/02/07, por Rosângela Oliveira.

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As comemorações alusivas aos heróicos combatentes que defenderam a cidade da Lapa na Revolução Federalista, em 1894 – também conhecida como Cerco da Lapa – estão diferentes neste ano… // …

“Há 113 anos esses heróis resistiram e lutaram pela liberdade. Hoje nós estamos fazendo a mesma coisa e lutando, não com armas, mas com tintas e pincéis para mostrar nossa arte e deixá-la cada vez mais perto do seu público”, afirmou José Roberto Orquiza, um dos organizadores do Cerco Coletivo. Cerca de cem artistas… //… se deparar com performances.

As peças, que medem 1,22m por 2,44m, foram…//…, mas que o mesmo espaço seja ocupado por outras obras.

Programa

Segundo a secretária municipal de Educação, Cultura, Esportes e Lazer, Iara Scandelaria Milczewski,… // …. Em vez de apenas retratar a batalha, a idéia foi mostrar através da arte a beleza da comemoração…

A tradicional cerimônia cívico-militar-religiosa do Cerco da Lapa foi realizado…//…

Resistência aos federalistas durou 26 dias

A cidade da Lapa foi o palco de um grande confronto bélico entre as tropas republicanas e os maragatos, contrários à República, durante a Revolução Federalista, em 1894. Lapa resistiu bravamente ao cerco durante 26 dias, diante do ataque do maior número do exército de rebeldes sulinos republicanos, comandados por Gumercindo Saraiva. O episódio ficou conhecido como o Cerco da Lapa, concedendo assim ao governo do Marechal Floriano Peixoto, o símbolo da República, tempo suficiente para reunir forças e deter as tropas federalistas. Foram 639 homens, entre forças regulares e civis voluntários, sob o comando do general Carneiro, que lutaram contra as forças revolucionárias – formadas por três mil combatentes. Seus restos mortais, assim como de muitos outros que tombaram durante a resistência, estão guardados no Pantheon dos Heroess, vigiados por uma guarda de honra.

Minha Opinião Federalista

A nossa História está repleta de inverdades que, aos poucos, vêm sendo esclarecidas.

Hoje já se sabe que o nosso maior herói, o Duque de Caxias, foi na verdade um assassino sanguinário que começou a despontar na carreira militar ao caçar e matar os escravos fujões que se escondiam nas matas e nos quilombos. Fazia isso atendendo às ordens do Rei, que, por sua vez, atendia às ordens dos grandes fazendeiros.

Sabemos também que a Guerra do Paraguai foi, na verdade, um enorme genocídio, em que o Brasil e a Argentina atacaram o Paraguai, atendendo aos interesses ingleses. O Paraguai era o único país da região que não dependia da Inglaterra, que era auto-suficiente e que já havia erradicado o analfabetismo da população. O coronel Caxias, agora Duque, comandou o estermínio de quase toda a população masculina, crianças e mulheres grávidas.

Apesar disso ensinam para nossas crianças nas escolas que ele é herói nacional e até virou patrono do exército brasileiro.

Casos como esses devem existir aos montes e criam muita confusão. Vejam na matéria do jornal que a redatora uma hora diz que ‘os federalistas eram contra a República’ e, em seguida, diz que eles eram os ‘rebeldes sulinos republicanos’.

Por isso quero comentar sobre a Revolução Federalista e o Cerco da Lapa, e mostrar que essa confusão começou já na Proclamação da República, em 1889, e que o Mal. Floriano não era o ‘Símbolo da República’. Aliás, muito pelo contrário.

1889 – A Proclamação da República

Os últimos anos do séc. XIX foram de constantes crises para a Monarquia. A oligarquia cafeeira, os militares, as classes urbanas e os imigrantes lideraram o movimento que eliminou a Monarquia no país. Há vinte anos os cafeicultores do oeste paulista haviam fundado o Partido Republicano que defendia o FEDERALISMO QUE GARANTIRIA AS AUTONOMIAS ESTADUAIS e o fim da escravidão.

Nesse mesmo ano (1889) tem início a ‘República da Espada’ com Mal. Deodoro, autoritário e centralizador, e em constante atrito com o legislativo.

Em 1891 é promulgada a primeira Constituição do Brasil e Mal. Deodoro articula um golpe de Estado e toma posse como Presidente, mas é levado a renunciar e toma posse o Mal. Floriano da Fonseca.

Vejam que o Brasil chamou-se primeiro Estados Unidos do Brasil e depois República Federativa do Brasil.

O ideal republicano era instalar a República democrática e presidencialista, FEDERATIVA, ou seja, com OS ESTADOS MANTENDO A SUAS AUTONOMIAS.

Dá para ver que deu tudo errado, e que já começamos com um golpe de Estado, e com o nosso federalismo cortado pela raiz a golpes de espada do ditador Deodoro, que não conseguiu conviver com a democracia e com o estado de direito.

Por isso, em 1893, começa no Rio Grande do Sul a Revolução Federalista, que lutava pela manutenção das AUTONOMIAS ESTADUAIS, pela implantação do parlamentarismo, e pelo fim do governo ditatorial de Julio de Castilhos no estado.

Julio de Castilhos já havia apoiado o golpe de estado de Mal. Deodoro, em 1891.

Mal. Floriano, que tinha interesse em manter-se no poder, apoiou os pica-paus, ‘republicanos históricos’, para obter apoio do Rio Grande do Sul no Congresso Nacional.

Os ‘republicanos históricos’ eram os cafeicultores (muitos ainda mantinham escravos) que defendiam mudanças graduais sem a participação popular, visando a manutenção do poder que tinham durante a Monarquia.

Em 1895, com a derrota dos federalistas e a eleição de Prudente de Morais, tem fim a ‘República da Espada’, acaba a Revolução Federalista e as instituições voltam a normalidade.

Junto com o fim da Revolução acabou-se também o FEDERALISMO no Brasil, restando só uma triste lembrança no nome República FEDERATIVA do Brasil, pois todo o poder foi concentrado no Governo Federal.

Acabou-se também a possibilidade de sermos uma nação rica e próspera, como são hoje TODAS as que mantiveram as suas AUTONOMIAS ESTADUAIS.

Vale a pena parar para pensar em quem eram os bandidos e quem eram os mocinhos nessa história sempre mal contada da Revolução Federalista. Serão os federalistas que lutavam pela legalidade de uma Constituição vigente e pela manutenção da República Federativa, ou os ditos ‘legalistas’ que rasgaram a Constituição e centralizaram o poder em suas mãos, sufocando os estados com impostos escorchantes e um alto grau de intervencionismo?

Seja qual for a resposta, hoje sentimos na pele os resultados.

JG