Posts Tagged ‘autonomia’

6.04
08

Escola Sem Partido – Virando o jogo

Postado por GermanoCWB ·

Conheça e divulgue o ‘Escola Sem Partido’

Não deixe seu filho ser doutrinado politicamente nas escolas.

Essa não é a função dos professores e nem da escola.

Você é responsável pelo que fazem com o seu filho fora de casa!

Não se omita!

Abraços

Germano

VIRANDO O JOGO

O EscolasemPartido.org está fazendo quatro anos. Nesse meio tempo, embora tenhamos obtido algumas vitórias, ficou claro que nossos adversários são infinitamente mais poderosos que nós. E o que é mais grave: enquanto eles estão agindo no mundo real – nas salas de aula, nos auditórios, nos governos, nas editoras, etc. –, nós estamos apenas esperneando na internet.

Meditando numa forma de superar essa desvantagem numérica e estratégica, ocorreu-nos a idéia de levar uma amostra significativa dos fatos cujas provas temos acumulado no ESP ao conhecimento do Ministério Público e pedir o ajuizamento de uma ação civil pública para obrigar as escolas públicas e particulares, do ensino fundamental e médio, e os cursinhos pré-vestibulares a afixar, em locais onde possam ser lidos por estudantes e professores, cartazes com a relação de deveres do professor elaborada pelo ESP, a fim de que os alunos, devidamente informados do direito que têm de não ser doutrinados por seus mestres, possam exercer eles próprios a defesa desse direito.

Essa representação, redigida e encabeçada pelo coordenador do ESP, o advogado Miguel Nagib, acaba de ser apresentada ao Ministério Público do Distrito Federal por um grupo de pais, estudantes e ex-estudantes de Brasília.

A iniciativa, contudo, não precisa e não deve ficar circunscrita ao Distrito Federal. Como se sabe, a instrumentalização do conhecimento para fins político-ideológicos é um problema que afeta praticamente todas as escolas brasileiras. Sendo assim, a mesma representação pode ser apresentada aos órgãos do Ministério Público de todas as cidades brasileiras.

Qualquer pessoa pode levar ao conhecimento do Ministério Público fatos que demonstrem a ocorrência de lesão a direitos coletivos ou difusos, e pedir ou sugerir a adoção das providências que julgar apropriadas. Não há ônus algum; o direito de petição aos Poderes Públicos é garantido pela Constituição Federal (art. 5º, XXXIV, ‘a’).

Se exercermos esse direito constitucional – como já fizemos em Brasília –, poderemos deflagrar um movimento de grande envergadura, levando a órgãos do Ministério Público de centenas de cidades brasileiras uma denúncia formal e fundamentada contra a prática da doutrinação ideológica nas escolas e pedindo providências concretas para combatê-la.

Com essa finalidade, o EscolasemPartido.org colocou à disposição dos interessados uma cópia da representação e do arquivo de provas que a instrui. Para baixá-los, clique AQUI. É só preencher, imprimir, assinar e dar entrada no órgão do Ministério Público de sua cidade.

Se tiver alguma dúvida, escreva-nos.

Não deixe de fazer o que é certo, acreditando que outra pessoa o fará; se todos agirem assim, o certo acabará não sendo feito por ninguém.

– Visite e divulgue o www.escolasempartido.org

5.03
07

Juiz nota 1000 (1)

Postado por GermanoCWB ·

Leiam também: Juiz nota 1000 (2)

Vejam que maravilha de despacho judicial! SENTENÇA: A Escola Nacional de Magistratura incluiu, na sexta-feira (30/6), em seu banco de sentenças, o despacho pouco comum do juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas, em Tocantins.

A entidade considerou de bom senso a decisão de seu associado, mandando soltar Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, detidos sob acusação de furtarem duas melancias:

“DECIDO: Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.

Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)…

Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém.

Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário apesar da promessa deste presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz.

Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia,….

Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra – e aí, cadê a Justiça nesse mundo?

Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade. Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir. Simplesmente mandarei soltar os indiciados. Quem quiser que escolha o motivo.

Expeçam-se os alvarás. Intimem-se.

Rafael Gonçalves de Paula
Juiz de Direito
Palmas, Estado do Tocantins

14.01
07

2007 – Em busca de antídotos

Postado por GermanoCWB ·


Em Busca de Antídotos

A revista Veja desse domingo fala sobre o “sufoco” da classe média. Eu já falo sobre isso há pelo menos três anos e acho inclusive que “sufoco” é elogio. Digo mais: a classe média ainda não sucumbiu porque se endividouaté o último fio de cabelo. Como não haverá reabilitação econômica nenhuma, é uma questão de tempo para que sucumba de vez. Minto. Haverá a sobrevivência de um ciclo vicioso que manterá os que ganham entre 3 e 10 mil reais por mês trabalhando ininterruptamente e cada vez mais por menos, para sustentar, com 90% do que ganham, a “benevolência” do governo e da nomenklatura para com os “pobres necessitados” – bolsões de voto garantido que, por sua vez, jamais sairão da condição em que estão. Está montado o crime perfeito – o comunismo que se entranha, em silêncio perfeito.

Danuza Leão disse em sua coluna deste domingo (17/12) que não sujará suas mãos cumprimentando mais nenhum deputado ou senador que não protestar contra o vergonhoso aumento de 90% que os parlamentares de Brasília concederam a si próprios. Ela diz ainda que se arrependeu de não ter anulado seu voto. Sou solidária à colunista, mas ela deveria ter usado seu espaço jornalístico para ter denunciado a falsidade democrático-eleitoreira que muitos de seus colegas menos privilegiados em termos de espaço na mídia tentaram fazer. No futuro, quando “a casa cair”, como alerta a colunista, entrarão para história do país, nomes como os de Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Olavo de Carvalho, Jorge Serrão, Diego Casagrande e outros menos afamados colegas que usaram seu espaço, seu talento e arriscaram suas cabeças para gritar aos quatro cantos do mundo sobre o espetáculo de ascensão e queda da nossa frágil democracia – e seu desaparecimento, que era vindouro. Esses homens, esses colegas, não tinham armas além de suas vigorosas palavras. Mesmo assim não foram covardes. A Danuza fala em jogar
uma pedrinha que agüente lançar. Terá se redimido. Mas, imperdoáveis serão, para a História do país, os que tinham canetas, leis e canhões e covardemente se omitiram. Destes ninguém se esquecerá – nem da “falha” histórica nem de seu egoísmo covarde.

Muitos dizem que não há apoio popular para impeachment de Lula. Mentira.
Mais de 60% da população rejeitou o atual governo nas urnas e milhões de famílias brasileiras estão se desfazendo nas vizinhanças de cada um de nós, todos os dias, por causa de crises financeiras. Milhões de brasileiros estão condenados ao ostracismo intelectual e econômico debaixo das vistas de todos. Milhares de olhos de brasileirinhos olham para cima em busca de futuro e percebem que estão condenados a vencer ou pela arte ou pelo esporte. Condenados sim, porque arte e esporte não constroem país nenhum – precisam sim de apoio dos que trabalharam para construí-los. Esportistas e artistas bem sucedidos são exceção. Não há quem possa acreditar em futuro se a única condição for ser um Pelé ou uma Bibi Ferreira.

Nesta segunda-feira (18/12), o cientista político aposentado William Carvalho (61) se acorrentou em uma pilastra do Senado Federal para protestar contra o auto-reajuste dos parlamentares. Ficou acorrentado por cerca de 30 minutos, até ser retirado do local por seguranças do Senado, que quebraram a corrente com um alicate. O aposentado vai ter que responder na Justiça pelos crimes de desacato e perturbação da ordem. A gente torce para que tenha o mesmo destino de Bruno Maranhão – o chefe da turma que promoveu o quebra-quebra no Congresso: glória e riqueza patrocinadas pelo Estado.

Também na tarde desta segunda-feira, e também por causa do reajuste dos parlamentares, Rita de Cássia Sampaio de Souza (45) esfaqueou com uma
peixeira e pelas costas o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) quando ele deixava seu escritório, em Salvador (BA), acompanhado de amigos. Aceminho passa bem e está em observação no Hospital da Bahia. A mulher foi presa e encaminhada ao presídio feminino de Salvador, onde ficará até ser julgada.

Bem, o STF derrubou o aumento – ontem, 19/12 – e
não se sabe até que ponto a “loucura desesperada” desses dois cidadãos influenciou nesta decisão.

Império da mentira, da vergonha, da roubalheira. Esse foi o futuro do país do futuro. Finjam e fujam quanto quiserem as autoridades, os magistrados, os parlamentares, os militares, os homens de mídia – mas a responsabilidade os perseguirá por todos os dias do resto de suas vidas. A vitória da
nomenklatura e a desenvoltura com que caminha pelo poder têm a parte que lhes deve. A experiência globalizadora e robotizadora também não lhes terá como agradecer. Mas isto não faria mesmo que devesse e ainda que pudesse.
Nas suas costas largas carregarão o peso de culpas como as de aumentos criminosos a parlamentares e de indenizações indevidas – a última delas concedida à Ministra Dilma Roussef, que planejou, em nome do comunismo, um assalto à residência que rendeu à causa US$ 2 milhões e 400 mil e,
futuramente, medalha de Ordem do Mérito Militar.

Há algum tempo atrás, quem andasse de farda, de toga ou com crachá de congressista, de alto funcionário de poderosas empresas estatais e também de poderosas empresas de mídia era observado ou com admiração ou com desconfiança, antes de merecer olhar de desdém, de raiva ou de coisa parecida. Era a dúvida – será também desonesto? Será também conivente? Será culpado? Hoje a incógnita paira apenas sobre pequeno detalhe: covardia conivente ou deleite? Mas estão todos carimbados: vergonha – medalha que todos ostentam.

Para a turma dos que acreditam que “eu sozinho não adianta nada”, um lembrete: cada soldado alemão que tenha pedido baixa do Exército de Hitler antes de sair pelo mundo massacrando judeus e populações inteiras, terão tirado da lista de mortos pelos nazistas uma centena de pessoas. Valeu a pena. Todas as conquistas benéficas para a humanidade foram obra dos que acreditaram que “eu sozinho” poderia fazer a diferença. E fez. A História prova isso todos os dias. Muitos dirão que ela – a História – também está cheia de “heróis” mortos. É verdade. Mas, é melhor morrer como “inútil herói” do que assistir à “medíocre, dolorosa e lenta” morte de filhos e netos como “covarde vivo”. A escolha não é das mais fáceis, também é verdade, mas é inevitável.

Natal do crediário. Comerciante comum e mediano que mergulhar nessa onda (mesmo que seja mais por não ter saída do que por estar achando ótimo) que aguarde o mês de abril – será um festival de inadimplência, de desapropriações judiciais e de falências. Enquanto as mega-lojas prosperam
derrubando a concorrência, oferecendo, até para comida, financiamentos em até 12 vezes, comparáveis aos de países cujos juros anuais não ultrapassam os 4% para o cidadão comum, nossas pequenas e médias casas comerciais vão falindo, às pencas. Mais gente no olho da rua, para formar o imenso exército de desesperados por emprego, garantindo a conservação de um batalhão de pessoas fazendo cada vez mais por menos – sorrindo e dando Graças a Deus.

Nas mega-lojas onipresentes, produtos baratinhos. Coisa boa, da China. A indústria nacional que se dane – quem mandou cobrar caro? Pois é, mas as pessoas se esquecem de que mais ou menos 70% da exorbitância dos preços dos produtos nacionais é por causa da carga tributária e dos encargos com
empregados. Tirem esse fardo da nossa indústria e vamos ver se teríamos concorrentes à altura para competir em preço e qualidade. Assunto batido esse de que produto chinês não poderia entrar em mercado capitalista sério.
A China vai ficar com tudo – com a produção e com a tecnologia. Depois, vai vender o que quiser, para quem quiser e por quanto quiser. É uma límpida e clara questão de tempo.

Quem está apostando que a questão das guerras futuras será de disputa por recursos naturais, como vem tentando fazer acreditar a indústria midiática alarmista, vai quebrar a cara. Tecnologia de produção de bens de consumo e de insumos tecnológico-industriais essenciais às sociedades desenvolvidas (e mão de obra capacitada) será a arma tão poderosa quanto a atômica ou a nanotecnológica para estar entre os poderosos do planeta. Historinha tão óbvia e tão velha – espanhóis, franceses, ingleses e portugueses já sabiam disso desde a época das grandes colonizações.

Por essas e muitas outras razões é que o extermínio da classe média intelectualizada é essencial. Será substituída por outra, não tão bem abastada e cerebralmente lavada. Tecnologicamente especializada sim, até em culinária – mas filosoficamente pobre, paupérrima. Quando se chegar a esse ponto, em questão de décadas, não será nem mesmo mais necessária a existência de currais eleitorais de gente miserável. Tão cega, emburrecida e encabrestada estará a nova classe média que será mais fácil e lucrativo controlá-la do que ter que desperdiçar dinheiro, tempo e recursos com gente inútil e desqualificada – controle de natalidade, legalização de aborto, encontros homo, tudo isso vai varrer essa “gentalha” do planeta na hora certa. Está tudo aí – em planos de ação cristalinos, para quem quiser ver.

Quanto aos bandidos urbanos, aos terroristas e aos fanáticos religiosos, eles sobreviverão e existirão na medida em que justifiquem a venda de segurança – fórmula genialmente criada que impede que os cidadãos pratiquem a legítima defesa de seus costumes e de suas vidas e em que eles próprios pagam para ser controlados e oprimidos. Um mal, perfeitamente controlável, manipulável, subornável e indispensável à indústria dos controladores mundiais que criam insegurança e vendem segurança, para controlar e lucrar.

A imprevisibilidade de certos “loucos” tem sim podido atrapalhar bastante os planos da inexorável ditadura global. Olavo de Carvalho fala sobre isso (sobre a neotirania) em seu último artigo para o Jornal do Comércio.
Trabalhar em cima do senso daquilo que seria imprevisível é a linha de condução da intelectualidade que pretenda arquitetar planos de saída para o caos que se aproxima. Construir articulações sobre a imprevisibilidade das reações humanas – este é o caminho da contra-revolução emancipadora.
Desconstruir a importância da economia financeira virtual, com mecanismos de inviablilização de certos tipos de troca – arma poderosa, capaz de garantir a sobrevivência de um mundo paralelo de resistência. Pensar nas saídas: missão para 2007.

Viva a liberdade!
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Christina Fontenelle
20/12/2006
E-MAIL: <mailto:Chrisfontell@gmail.com> Chrisfontell@gmail.com
BLOG/artigos: <http://infomix-cf.blogspot.com/>
http://infomix-cf.blogspot.com/
BLOG/Série CAI O PANO: <http://christina-fontenelle.blogspot.com/>
http://christina-fontenelle.blogspot.com/

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14.12
06

A nova era das ditaduras – Olavo de Carvalho

Postado por GermanoCWB ·

JB, 12 dez. 2006 – Extra

A nova era das ditaduras

Olavo de Carvalho


Há quem acredite que, com a morte de Augusto Pinochet e o próximo desaparecimento de Fidel Castro, a era dos ditadores estará extinta na América Latina. É esperança louca. O que está em vias de acabar é a era dos ditadores nacionais, prenunciando o advento da ditadura continental. Não estamos vendo o fim, mas um upgrade da tirania latino-americana.

Começo com uma distinção óbvia. Excluindo as tiranias dinásticas, oligárquicas e populistas, que realmente pertencem a uma fase histórica extinta, há ditaduras reacionárias e revolucionárias. As primeiras são temporárias por natureza, pois têm ambições limitadas, visam à restauração de um estado anterior e se diluem tão logo alcancem seus objetivos. As ditaduras revolucionárias arrancam as raízes do passado e criam do nada um mundo novo. Não raro, pretendem modificar não só a estrutura da sociedade, mas a própria natureza humana. Promovem transformações tão profundas – e tão perversas –, que, quando se extinguem, já não é possível nem restaurar o que existia nem criar um novo padrão de normalidade. Muitas ditaduras reacionárias, passado o pesadelo, deixaram saldos positivos. O Chile, a Espanha e Portugal, quando se desvencilharam de Pinochet, Franco e Salazar, eram países livres e prósperos. As ditaduras revolucionárias não deixam outra coisa senão um rastro macabro de devastação e morte que só pode resultar em novas ditaduras ou numa decadência longa e irreversível. A França do Antigo Regime era a nação mais rica e poderosa do mundo. Depois da Revolução, veio de queda em queda até reduzir-se a uma burocracia falida, dependente da ajuda americana, subserviente a ditadores estrangeiros e incapaz de resistir à invasão cultural islâmica. O Vietnã e a Coréia do Norte são cemitérios mal administrados. A China pós-Mao é a festa permanente dos generais em meio à miséria do povo. A Rússia mergulhou no caos e na corrupção. A única esperança de uma nação, após a experiência da ditadura revolucionária, é ser salva desde fora, como o foi a Alemanha. Mas ninguém pode querer isso e depois ter o direito de choramingar que os EUA são a polícia do mundo.

As ditaduras em formação na América Latina definem-se por duas características: (1) são todas revolucionárias, prometendo a mutação radical e a militarização integral da sociedade; (2) não são fenômenos isolados, nacionais, mas o resultado de uma articulação continental que começou na década de 60, com a OLAS (Organização de Solidariedade Latino-Americana) e colheu seus primeiros frutos após a criação do Foro de São Paulo em 1990. Desde então o projeto da revolução latino-americana vem alcançando vitória em cima de vitória, sem encontrar qualquer resistência senão da parte de esquerdistas light que, malgrado seus escrúpulos democráticos ao menos formais, são no fim das contas escravos ideológicos do mito revolucionário e, por isso mesmo, meros colaboracionistas disfarçados.

A possibilidade de que o processo venha a ser detido pela emergência de ditaduras reacionárias, mesmo locais e isoladas, é praticamente nula. Os poderes internacionais e a grande mídia européia e americana oscilam entre os simulacros de protesto e a cumplicidade ostensiva. E a máquina democrática em cada país foi tão bem alterada desde dentro, que já não pode servir senão para legitimar a tirania por meio da aprovação popular.

A era das ditaduras no continente não acabou. Está apenas começando. Como diria o saudoso Paulo Francis, there’s coming a shitstorm.


14.12
06

Caso Celso Daniel

Postado por GermanoCWB ·

Subject: Enc: Fw: celso daniel

A doutora Elizabete Sato, delegada que foi escalada para investigar o
processo sobre o assassinato do Prefeito de Santo André, Celso Daniel, é
tia de Marcelo Sato,
marido da Lurian, que, apenas por coincidência, é filha do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
Ou melhor, a coincidência é que Marcelo Sato, o genro do presidente da
República, é sobrinho da Delegada Elisabete Sato, Titular do 78º DP, que
demorou séculos para concluir que o caso Celso Daniel foi um “crime
comum”, sem motivação política.
Também apenas por coincidência, Marcelo Sato é dono de uma empresa de
assessoria que presta serviços ao Besc (Banco de Santa Catarina,
federalizado), no qual é dirigente Jorge Lorenzetti (churrasqueiro oficial
do presidente Lula e um dos petistas que o presidente chamou de “aloprado”
no escândalo do dossiê contra os tucanos).

11.12
06

Cláusula de barreira – Opiniões

Postado por GermanoCWB ·

Reeditado

Leia também ‘Supremo derruba cláusula de barreira’

Opinião pessoal publicada no Fórum do jornal O Estado do Paraná:

Comentário relacionado à notícia: Acabou

João Germano Teixeira – 10/12/2006

Muito boas as afirmações do colunista. No entanto, acho que há um equívoco em relação à cláusula de barreira. A derrubada da cláusula pelo STF vêm reforçar a democracia, visto tratar-se de uma aberração e um atentado aos direitos constitucionais do cidadão.

Não podemos simplesmente suprimir ainda mais nossos direitos para corrigir excrescências criadas à nossa revelia e com objetivos escusos.

Não deve ser creditada à existência de partidos pequenos toda a mazela da política, mas sim à deficiência da legislação pertinente, que só permite o registro de partidos com atuação nacional, bem como, a um sistema centralizado de decisões que não leva em conta a opinião dos cidadãos, tratados como meros espectadores.

Uma legislação simples e direta resolveria grande parte desses problemas, como por exemplo:

- Consulta popular para implantação de leis eleitorais e outras que afetem o dia-a-dia do cidadão.

- Proibição de coligações.

- Mudança de partido acarreta a perda do mandato.

- Livre criação e registro de novos partidos, mas com atuação somente local.

- Voto distrital.

Há que se fixar nas causas dos problemas, ao invés de se debater com os efeitos.

Germano

(Segue abaixo a coluna Etcetera, publicada no jornal O Estado do Paraná)Acabou

ET CETERA [10/12/2006]

Façam suas orações, pois a reforma política brasileira morreu. De “morte matada”. A promessa de votar mudanças que moralizariam o sistema eleitoral, que impediriam práticas odiosas como mensalões e sanguessugas e que tornariam mais eficaz o trabalho do Congresso Nacional foi sepultada. Impiedosamente. A matéria, finita, não passa de um projeto engavetado que será lembrado, no máximo, como uma obra de ficção. Até mesmo o que aparecia como uma correção necessária – a cláusula de barreira para acabar com os chamados partidos nanicos – foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, os outros temas que envolviam assuntos como fidelidade partidária, voto distrital e financiamento público de campanha não saem do lugar. A classe política vibra nos bastidores, pois deputados e senadores jamais mostraram real interesse em mudar as regras do jogo. Na prática, portanto, fica tudo rigorosamente como está. E tchau e bênção.

Retrocesso

Ainda que a decisão do STF esteja de acordo com a Constituição, a queda da chamada cláusula de barreira é um retrocesso. A manutenção dos partidos pequenos reforça a atuação das chamadas legendas de aluguel. Com isso, o País continuará convivendo com nada menos de 29 siglas. Esse fracionamento partidário, indiscutivelmente, é uma porta aberta para as negociatas e para a corrupção política.

Eles faturam

Com a decisão, ficam valendo as regras adotadas até as eleições deste ano para a distribuição do tempo de propaganda no rádio e na televisão e a divisão dos recursos do Fundo Partidário. Os nanicos, portanto, continuarão se vendendo e fazendo da política o seu balcão de negócios particular. Enquanto se mantiverem as facilidades atuais para a criação de um partido, na maioria das vezes sem qualquer identidade programática, a política continuará vulnerável à atuação de oportunistas.

Fidelidade?

O fim da cláusula de barreira também é o estopim para que demais pontos da reforma voltem para a gaveta e lá permaneçam esquecidos. O ideal da fidelidade partidária, por exemplo, é o primeiro a ser mandado para escanteio. A maioria dos deputados e senadores não aceita a regra, pois eles a consideram um “cabresto” imposto pelos comandos partidários. Os políticos querem independência para votar as matérias de acordo com a sua consciência e não seguir as linhas ideológicas de suas legendas. Em resumo: a nova lei prevendo a perda do mandato para quem mudasse de partido não passa no Congresso de jeito nenhum.

Voto distrital

A questão do voto distrital (misto ou não) é ainda mais complexa. A divisão de estados em distritos e cada um deles elegendo seu representante desagrada aos atuais eleitos. Como eles chegaram à Câmara com as regras atuais, do voto proporcional, poucos querem correr o risco de promover uma mudança que poderia, mais adiante, lhe tirar a eleição. Em outras palavras: não há a menor chance de aprovação.

Financiamento público

Já a proposta de financiamento público – que tem como meta o fim das contribuições particulares para as campanhas a fim de evitar o chamado caixa dois – enfrenta resistências fora e dentro do Congresso. O argumento contrário à matéria é sólido: o dinheiro público não deve ser gasto para pagar as campanhas dos políticos, pois em um país com as desigualdades sociais como o Brasil, é impensável gastar milhões de reais para os partidos fazerem suas propagandas.

Reeleição

O único ponto vivo no debate de reforma política e que pode prosperar é o fim da reeleição. O tema está próximo de ser aprovado, pois os grandes partidos (PT, PMDB, PSDB e PFL) enxergam benefícios pessoais em curto prazo. A discussão, contudo, prevê a ampliação de quatro para cinco anos do tempo de governo para o executivo.